Câmara celebra semana da Consciência Racial

A Sessão Solene em comemoração ao Dia Municipal da Consciência Racial foi realizada em 22 de novembro pelo Legislativo Ubaense, em parceria com a Associação de Combate à Discriminação Racial Solano Trindade (AST). A data é celebrada no dia 20 de novembro, conforme a Lei Municipal n° 2.736/1997. O evento marcou um importante momento de reflexão e difusão dos movimentos sociais e culturais populares, principalmente os vinculados aos trabalhos da conscientização racial.

Compuseram a mesa diretora da solenidade: o Presidente da Câmara Municipal de Ubá (CMU), vereador Jorge Custodio Gervasio; o 1º Vice-Presidente da CMU, vereador José Roberto Reis Filgueiras; o 1º Secretário da Câmara, vereador Joseli Anísio Pinto; o Coordenador-Geral da Associação Cultural de Combate à Discriminação Racial Solano Trindade, José Felício de Oliveira; a Secretária Municipal de Administração, Mônica Valone Espósito Marchi, representando o Prefeito Municipal de Ubá, Edson Teixeira Filho; a Diretora da Superintendência Regional de Ensino de Ubá, Josiane Almeida Segheto; o Comandante do Colégio Tiradentes de Ubá, Capitão Ivan Arigui de Oliveira, representando o Comandante do 21º Batalhão de Polícia Militar, Tenente Coronel Giovani do Carmo Ramos; o Coordenador da Federação Municipal das Associações Comunitárias dos Bairros e Distritos de Ubá (Femac), Mário Angelo Noé; a palestrante Giane  Elisa Sales de Almeida; e os vereadores Pastor  Darci Pires da Silva, Edeir Pacheco da Costa, Gilson Fazolla Filgueiras e Luís Carlos Teixeira Ribeiro. A solenidade contou ainda com a participação de representantes de associações e do movimento negro, imprensa e membros da comunidade ubaense.

O presidente da CMU, vereador Jorge Custodio Gervasio, destacou em seu discurso a importância da data. “Nossa luta é permanente, e ainda hoje exige o sacrifício de muitos companheiros, que não buscam privilégios, nem favores, mas sim, a conscientização das pessoas e o estabelecimento de políticas afirmativas que possam diminuir a imensa desigualdade causada por um erro histórico que subjugou a população negra. Somos fruto de uma cultura rica, festiva e plural. Um povo capaz e igual em direitos e deveres, capacidades e talentos, como todos os irmãos das demais raças e origens. Precisamos combater todo tipo de racismo e para isso temos que impor nossa voz. Elevar o tom e mostrar para o mundo que não estamos mais escravizados! Somos livres e podemos evidenciar o valor da comunidade negra”, pontuou.

Em nome da Associação de Combate à Discriminação Racial Solano Trindade, José Flávio Expedito, membro da AST, explicou a finalidade da instituição e ressaltou a história do patrono da entidade, o poeta negro Francisco Solano Trindade. Ao final de seu discurso, leu um poema em homenagem a ele. “A AST tem por finalidade exercer atividades de educação de base, promoção das pessoas, grupos e comunidades afrodescendentes, minorias na luta contra qualquer discriminação. Nossos objetivos são apoiar e criar atividades que visem a conscientização e identidade dos afrodescendentes na preservação de seus valores, contribuir para a formação local e regional na busca de maior conhecimento e participação das pessoas no processo de superação da marginalização sociocultural da população negra e da população marginalizada. Além disso, promover também o voluntariado, o combate à discriminação seja pela cor, raça ou sexo, e organizar eventos, seminários, encontros, debates e oficinas temáticas e culturais”, destacou.

Cumprindo o objetivo da sessão solene de ressaltar e valorizar a cultura negra em Ubá, o evento contou com participações especiais durante toda a sua programação. No início os convidados foram recebidos com a apresentação do Grupo Senzala. No hall da Câmara esteve exposta uma mostra fotográfica dos alunos da Universidade do Estado de Minas Gerais - campus Ubá.

O público também acompanhou as apresentações da Banda do 21º Batalhão de Polícia Militar, que executou o Hino Nacional. O hino do município de Ubá foi cantado pelo Coral da Secretaria Municipal de Cultura, regido pelo Maestro Wantuil Alexandre e acompanhado ao teclado pela musicista Tatiane Andrade. A música Aquarela do Brasil foi cantada por Denize Francisco Cristiano Cruz e banda.

 

Homenagens

Durante a solenidade, quatro personalidades ubaenses reconhecidas pelos relevantes serviços prestados à comunidade negra de Ubá foram homenageadas. São elas:  Júlio César da Silva – coordenador Geral do Grupo Asas – Amigos Sempre Amigos; Maria das Dores Queiroz de Almeida – militante da Pastoral Operária, Associação de Moradores do Bairro Agroceres e Segunda-Secretária da Associação Solano Trindade; Maria Aparecida Ribeiro – mestre Tida do Grupo de Capoeira Senzala; e Cláudio Cezar Alves – Presidente do Conselho de Promoção da Igualdade Racial, Conselho Fiscal da Associação Solano Trindade

 

Palestra

O evento contou ainda com a palestra intitulada “O poder do pertencimento do negro na sociedade”, a cargo da Mestre em Educação e Supervisora de Promoção de Direitos Humanos e Cidadania da Secretaria de Desenvolvimento Social da Prefeitura de Juiz de Fora, Giane Elisa Sales de Almeida.

“A escravidão durou 350 anos. Se não tiver política pública, não tem promoção da igualdade racial, e junto com ela as pessoas precisam positivar a experiência de ser negra. E é preciso abordar a coletividade, porque ninguém faz essa passagem de se pertencer negra e negro sozinho. Vocês brancos precisam reconhecer os privilégios de serem brancos e precisam usar esse privilégio em prol de promover a igualdade racial de fato. E, por fim, conhecer a nossa história, a nossa formação social no Brasil e no mundo para causar pertencimento, e na medida do possível as pessoas que tem acesso à informação, à educação, que tenham possibilidades, ascendam socialmente sem esquecer a nossa origem e de quem está atrás da gente, que não tiveram a mesma possibilidade. Conhecer a história da África e pensar em outros valores civilizatórios e outros paradigmas de civilização”, enfatizou a palestrante.

Giane relatou uma conversa que teve com um aluno numa escola de Juiz de Fora. “Um menino me disse: eu não sabia que existia professora negra, preta, e que preto podia ser professor. Eu respondi: ‘Preto pode ser professor, juiz, médico, pode ser várias coisas’. Para aquela criança era isso que deveria ser dito. Para vocês eu digo que para ser várias coisas, a gente precisa se mobilizar para que tenhamos políticas públicas. O pertencimento racial é desta forma: uma pessoa sobe, puxa a outra e leva com a gente o lugar que a gente veio”, concluiu.

 

Concurso de Redação

Estudantes das escolas estaduais de Ensino Fundamental e Médio Regular do município de Ubá participaram do 5° Concurso de Redação, pelo qual foram estimulados, dentro do contexto da Celebração do Dia Municipal da Consciência Racial, a escrever sobre o tema: "Se pretendemos uma sociedade sem preconceito, o que fazer?".

Promovido pela parceria entre a Superintendência Regional de Ensino de Ubá e a Associação Solano Trindade, o concurso foi realizado de 4 de outubro a 4 de novembro de 2019, com alunos do 6º ao 9º, e do Ensino Médio. Os autores das três melhores redações do ensino fundamental e do médio foram apresentados durante a solenidade. Eles receberam um certificado e uma medalha em reconhecimento ao trabalho desenvolvido.

Foram premiados os alunos do ensino fundamental:

1° lugar: Maévem de Souza Leite, do 9º ano Azul da Escola Estadual Padre Joãozinho.

2° lugar: Luiza Pereira de Moura, do 8º ano do Colégio Tiradentes da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais.

3° lugar: Pedro Lucas de Souza Laureano, do 9º ano 1 da Escola Estadual São José.

Do ensino médio, foram premiados:

1° lugar: Diogo Vinícius de Oliveira, do 1º ano Colégio Tiradentes da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais.

2° lugar: Verônica Reis de Oliveira, do 3º ano Verde da Escola Estadual Padre Joãozinho.

3° lugar: Josiaine Kétlin Rodrigues Vinha, aluna do 3º ano 1 da Escola Estadual Dr. Levindo Coelho.

Os estudantes Diogo e Maévem compartilharam com os presentes suas ideias, procedendo à leitura de sua redação.

Certificado de participação no PJ

O Parlamento Jovem é um projeto de formação política e cidadã criado pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que concluiu sua 16ª edição em 20 de setembro. Neste ano, o tema debatido foi “Discriminação étnico-racial”, e os quatorze estudantes que integraram o Parlamento Jovem de Ubá receberam os seus certificados de participação durante a solenidade realizada na CMU.

São eles: Andressa da Silva Oliveira; Lucas Pacheco Tolentino; Andressa da Silva Oliveira; Giovana Cardoso; Thales Henrique Martins de Araújo; Gabriel Tomaz Massardi; Katilyn da Silva Vieira Martins; Samuel Henrique da Silva Antônio; Vinícius de Oliveira Braga Xavier; Maria Eduarda da Silva Martins; Tuianny Ferreira Dias; Brayan Herryson Silva; Sthefanny Cristiny Coutinho Silva Teixeira; Sara Isabelle Olympio Soares e Sarah Cardoso Bragine Ferreira.

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